Wednesday, August 8, 2007

07-Monark Financeira

A Necessária Oposição
Diante do Fascismo Generalizado

Ciro Moroni Barroso*
Publicado na revista UERJ
www.polemica.uerj.br
Dezembro 2003

* Jornalista, autor de cerca 400 artigos de opinião na imprensa em Petrópolis, RJ

Enquanto Gore Vidal e praticamente todas as vozes de esquerda no Brasil e países latinos europeus continuam a atacar o avanço imperial do governo Bush-Cheney em termos tradicionalmente leninistas e hegelianos, isto é, de que é “tentativa de garantir as reservas de petróleo de suas próprias corporações”, mas que, apesar disso, “o consumidor norte-americano poderá se beneficiar de preços melhores para seu combustível”; em termos de que “esta é a aventura final da expansão capitalista”, ou de que “esta é a resposta desesperada do capitalismo internacional diante do crescimento das forças democráticas” – no mundo anglo-saxão, e nos Estados Unidos, a oposição ao fascismo generalizado fraudulentamente instaurado na Casa Branca parece ser mais penetrante, denunciando um golpismo que, em última instância, haveria de destruir as fundações da pátria norte-americana e da própria economia de mercado.

Se é verdade serem necessárias e sinceras as críticas das esquerdas latinas (esquerdas que, acredito, devem continuar a ser definidas como “a crítica do capitalismo”), é, apesar de tudo, irônico que a vanguarda da luta anti-imperialista esteja neste momento sendo protagonizada por cidadãos que se baseiam em valores liberais e protestantes, e que fazem a defesa dos direitos civis e constitucionais em termos desses valores, e não necessariamente nos termos da crítica ao capitalismo. Neste sentido estes cidadãos estão percebendo que as sociedades de seus países (EUA, Inglaterra, Alemanha) estão sendo ameaçadas de desconstrução na mesma medida em que estão as sociedades no Terceiro Mundo, países árabes, Vietnã ou América Latina...

O fato é que, se é pouco numerosa a oposição ativa ao fascismo governamental nos EUA (talvez 10% da sociedade), diante de uma maioria facilmente manipulada pelos meios de comunicação “amestrados”, esta oposição é surpreendentemente virulenta, sagaz e eficiente, nos níveis em que se apresenta. Principalmente no que diz respeito ao jornalismo “investigativo”, independente e auto-sustentado.

O radialista Jeff Rense é um exemplo notável. Seu site na web, www.rense.com, com mais de 7 milhões de consultas mensais, é uma expansão de suas atividades de radialista de oposição. Mais de 300 páginas de documentos são diariamente atualizados, provenientes do noticiário político mundial, dos sites de oposição nos EUA, de e-mails de cidadãos críticos e analistas, e ainda incluindo notícias cotidianas sobre temas gerais, saúde, consumo, acidentes, clima, venda de livros, etc. Através do Rense ficamos sabendo, nos dias que seguiram aos atentados de 11 Set/2001, que incontáveis detalhes oficiais estavam mal contados, e que toda a cena sobre os “sequestradores árabes” era inconsistente, à maneira da montagem feita com o Lee Oswald de Nov/1963. Num canto do site (signo 911), várias entradas dão para as dezenas de comentários sobre o onze-de-setembro: ver entrevista do ex-ministro Von Buelow, ver carta-aberta da agente do FBI Coleen Rowley, etc. Através do Rense, vemos os incômodos detalhes sobre a queda do avião do Senador Paul Wellstone e família, às vésperas da eleição de Nov/2002, sendo Wellstone líder da oposição democrata, prestes a garantir mais uma cadeira, e com isso a maioria, para seu partido no Senado, notícia que ocupou dois minutos em nosso noticiário e sumiu.

No Rense recebeu destaque o artigo do ex-ministro Michael Meacher publicado no Guardian londrino de 06 Set/2003. Meacher, Membro do Parlamento (Labour) e Ministro do Meio Ambiente por seis anos, renunciara em Junho, na esteira do escândalo Kelly. Ele disse que o Vice Richard Cheney (Halliburton, Carlyle, ex-Sec.Defesa) e membros do governo estão diretamente implicados nos atentados de 11 Set. Não sei se esse artigo foi mencionado na imprensa brasileira desde então. Na Inglaterra, além de The Guardian, The Independent e The Observer mantêm uma linha de oposição e independência diante da maré de pseudo-conservadorismo (e pseudo-labourismo de Blair). Nos EUA apenas o New York Times, atualmente, é tido como jornalismo independente, sendo todos os outros grandes jornais e cadeias apontados como parte dos monopólios controladores da mídia.
Ver:
www.gregpalast.com
www.guardian.co.uk
www.theobserver.co.uk

Apesar disso, a edição “personalidade do ano” do natal de 2002 da revista Time, de propriedade de Henry Luce (tradicional aliado dos Rockeffeler e do Council on Foreign Relations, vide), trazia a nossa agente Coleen Rowley do FBI que denunciara alta corrupção na cúpula do FBI (Diretor Robert Mueller) nas investigações sobre os atentados. Há fortes indicações, no momento, de um split nas elites internacionalistas opondo, de um lado, gente como George Soros e alguns dos Rockefellers (com exclusão de David Rockeffeler, aos 88 anos), que ainda acreditam no “capitalismo”, e do outro lado a seita dos Bush-Cheney e dos banqueiros londrinos do séc. dezenove, que acreditam numa ordem internacional monárquica fascista, baseada em sociedades secretas (Skull&Bones, sociedade da Universidade Yale, vide).

Michael Ruppert e Sherman Skolnick, como velhos e renitentes jornalistas independentes críticos da Nova Ordem Mundial de George Bush Sr., da CIA, do tráfico de cocaína da CIA, da alta corrupção no judiciário dos EUA, e do golpismo generalizado, dispensariam maiores apresentações aqui.
Ver
www.copvcia.com
www.skolnicksreport.com

Ver ainda:
www.prisonplanet
www.propagandamatrix
www.madcowprod.com
www.rumormillnews.com
www.libertythink.com
www.thoughtcrimenews.com
www.hereinreality.com

A lição é: trata-se de um imperialismo no interior de uma desesperada expansão das fronteiras econônicas do capitalismo, sim; porém este “imperialismo” é de uma elite internacional altamente concentracionária e golpista, que destrói o mercado capitalista, em função de um modo de produção de hegemonia financeira que tem muito mais a ver com o feudalismo monárquico absolutista do que com alguma espécie de “economia de mercado” ou de interesses de expansão econômica de corporações. Esse “imperialismo” utiliza-se fraudulentamente de um discurso patriótico, conservador, de nacionalismo econômico, para manter os EUA em guerra – ou seja, para eles é até bom que sejam vistos assim... Enquanto isso, o resultado dessa política golpista, caso fosse permitido seu sucesso, nos levaria a uma espécie de IV Reich: ditadura interna nos EUA, fim das garantias constitucionais, desvalorização econômica-financeira do país, controle da sociedade por meio da mídia e de sofisticados meios eletrônicos; e monarquia absolutista a nível internacional, de cunho financeiro – o capitalismo, fruto da revolução burguesa, reduzido a um aparelho da política imperial.

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